Foi Cunhal quem telefonou a Costa Gomes
Persconferentie van de leider van de Portugese Communistische Part ij, Alvaro Cunhal in Krasnapolsky in Amsterdam; vlnr Albano Nunes , Domingos Abrantes en Cunhal *17 april 1980
A História mais conhecida regista que no dia 25 de Novembro de 1975 foi o Presidente da República, Costa Gomes, quem telefonou ao líder do PCP, Álvaro Cunhal, para controlar elementos mais aventureiros do Partido ou próximos dele para manter o rumo da Revolução.
Mas Cunhal desmente esta versão no seu livro “A Verdade e a Mentira na Revolução de Abril” (Edições Avante, 1999)
O líder do PCP lembra uma “conversa telefónica na mesma noite de 24 para 25 entre o Presidente da República Costa Gomes e o secretário-geral do PCP, Álvaro Cunhal, em que este, tendo tomado a iniciativa do contacto, nos termos habituais da ligação institucional com a Presidência da República, comunicou ao Presidente, desmentindo especulações em curso, que o PCP não estava envolvido em qualquer iniciativa de confronto militar e insistia em apontar a necessidade de uma solução política”.
Cunhal recorda que Mário Soares contribuiu muito para a adulteração da História, de que é exemplo uma entrevista que o então Presidente da República deu à revista Público-Magazine de 24-4-1994) em que diz que “Costa Gomes conseguiu convencer o Partido Comunista a desistir» do 25 de Novembro”.
Cunhal explica que “a verdade é que não houve ´recuo` nem ‘desistência´ porque não houve golpe nem tentativa de golpe do PCP, mas a realização empenhada da orientação definida pelo Comité Central em 10 de Agosto [de 1975] , até ao último minuto” no sentido de as organizações do Partido cumprirem as linhas de uma solução política, concretizada na manutenção do PCP no interior do sistema partidário, garantia que foi dada por Melo Antunes, líder político dos moderados.
