“Os grandes senhores não devem ser indemnizados em virtude das nacionalizações”
Alberto Martins é hoje um socialista moderado, proeminente apoiante de António José Seguro, podendo vir a pertencer à futura estrutura presidencial ou, em alternativa, integrar o Conselho de Estado. Mas nem sempre foi assim.
O homem que em 1969 foi proibido de intervir na Universidade de Coimbra, numa sessão do regime presidida pelo Chefe de Estado, Américo Tomás, foi um esquerdista radical após o 25 de Abril de 1974, destacado militante do Movimento de Esquerda Socialista. Também muito antes de ser ministro
Num comício deste partido em 20 de Abril de 1975, no Porto, numa altura em que já tinham abandonado o MES militantes mais moderados, como Jorge Sampaio, Alberto Martins defendeu as nacionalizações sem indemnizações, criticou as forças de “cor mais ou menos rosa” e terminou a intervenção a gritar viva “o comunismo.
O Objectivo publica um extracto deste discurso de Alberto Martins, editado em livro pelo próprio MES em 1975:
“A nacionalização da banca e dos seguros e as recentes medidas que nacionalizam sectores básicos da indústria, permitiram um avanço importante na retirada ao controlo directo da burguesia de sectores chaves da economia portuguesa.
Sendo um avanço, as nacionalizações correspondem aos anseios das grandes massas populares!
Mas, nacionalizar não basta. O controlo pelo aparelho de Estado de largas manchas da nossa economia, não é o controlo pelos trabalhadores dessa economia.
É necessário que as nacionalizações levem a uma efectiva retirada do poder económico e político aos capitalistas: e para que isso aconteça, camaradas, é preciso que não se indemnizem os grandes senhores, que viveram e acumularam à custa do trabalho dos operários e camponeses, e que desde o 25 de Abril tudo fizeram para sabotar o processo de avanço da sociedade portuguesa no sentido do socialismo; e sobretudo, camaradas, é necessário que as nacionalizações sejam acompanhadas por um progressivo controlo das massas trabalhadoras sobre a economia do país. Construir o socialismo não é substituir a incapacidade e a ineficácia dos capitalistas por um Estado-patrão, tentacular e omnipotente.
Não é substituir tecnocratas marcelistas por gente de cor mais ou menos rosa”.
“Pela Organização do Poder Popular!
Pela Unidade da Classe Operária e dos seus aliados!
Pela Revolução socialista!
Pela Unidade internacionalista de todos os explorados e oprimidos!
Pelo Comunismo!”
