Seguro atribui o populismo à crise dos partidos tradicionais
António José Seguro, o novo presidente da República eleito, criticou em 2019, quando António Costa era primeiro-ministro, os “partidos tradicionais”, PS e PSD, acusando-os de serem responsáveis pelo populismo, num momento em que o crescimento do Chega já se perspetivava no horizonte.
O Objectivo publica um extracto do artigo: “É certo que os partidos políticos nunca foram entidades veneradas, mas a incapacidade de os partidos tradicionais resolverem os problemas que os eleitores valorizam como os mais relevantes, a violação sistemática de promessas e expectativas eleitorais, a incapacidade para combaterem as desigualdades, a elasticidade ideológica visando exclusivamente a conquista e manutenção do poder deixam os eleitores típicos (base natural de apoio) órfãos de referências, desiludidos e até desafetados, transformando-os em presas fáceis para novas propostas políticas. Por outro lado, a essência da democracia reside na oferta de alternativas. Se os partidos tradicionais abandonam a sua coerência ideológica em troco da conquista/manutenção do poder, é certo e sabido que esta atitude os aproxima, os torna mais iguais e apaga as diferenças que estão na base da sua existência. O bloco central alemão é um exemplo recente, pois aproximou a direita e a esquerda do centro deixando livre as margens. Facto que não terá sido alheio à eleição, pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial, de deputados de extrema- -direita (Alternativa para a Alemanha) para o Bundestag. Há mais exemplos deste pragmatismo pelo poder, pois em vários países europeus essa alternativa foi substituída pelo rotativismo, dado que no poder os partidos aplicam, com nuances de conjuntura, o mesmo programa ideológico exigido por Bruxelas. Perante a ausência de alternativas oriundas dos partidos tradicionais, surgem as alternativas indesejáveis dos exploradores do medo”.
