Seguro não condenou invasão da Ucrânia pela Rússia
António José Seguro, o novo presidente da República eleito, não condenou a invasão da Ucrânia pela Rússia num artigo que escreveu para a revista Janus em fevereiro de 2022, publicação do Observatório de Relações Exteriores da Universidade Autónoma de Lisboa.
O artigo, intitulado “Contributos para o novo conceito de defesa nacional” foi entregue na revista em Fevereiro de 2023, antes da intervenção militar russa na Ucrânia, mas Seguro acrescentou-lhe um último parágrafo por causa dela, o que é, aliás, referido no artigo.
Seguro escreveu então neste último parágrafo do artigo o seguinte: “nestes novos tempos, a defesa e a segurança têm muitas dimensões que justificam a sua integração no próximo conceito estratégico de defesa nacional. Estas dimensões devem ser acolhidas num quadro estratégico, onde os Estados europeus devem cooperar entre si, respeitando-se mutuamente, para garantirem a paz e a estabilidade. Devemos ter consciência que os primeiros responsáveis pela paz no velho continente somos nós, os europeus. A prioridade deste propósito não pode ficar dependente de interesses geopolíticos e geoestratégicos, não europeus”.
O hoje presidente da República eleito limita-se, assim, a fazer alusão aos “interesses geopolíticos e geoestratégicos” russos sem condenar politicamente a intervenção militar da Rússia na Ucrânia.
António José Seguro foi colaborador regular da Janus desde 2017.
Na edição da Janus de 2018/2019, Seguro escreveu também outro artigo sobre política internacional, intitulado “Partidos emergentes numa democracia submergida”. Nele critica o regime russo: “Os regimes autocráticos, com destaque para a Rússia, encontram espaço de progressão e vão em apoio das forças políticas e das lideranças exploradoras do medo, sem que sejam realmente incomodados pela ingerência na vida interna de outros Estados soberanos. As notícias sobre o apoio russo aos partidários da saída do Reino Unido da União Europeia e a expulsão de dois diplomatas russos, pelo governo grego, acusados de intervenção na vida interna do país de Homero, são apenas dois exemplos.”
