Eça perdeu concurso com a Relíquia
O romance A Relíquia, de Eça de Queirós, publicado em 1877, foi preterido neste meesmo ano no concurso literário Prémio D. Luís I, atribuído pela Academia Real das Ciências. O vencedor foi a peça de teatro O Duque de Viseu, da autoria de Henrique Lopes de Mendonça.
O romancista e poeta Pinheiro Chagas foi um dos elementos do júri — juntamente com J. Silvestre Ribeiro e Vilhena Barbosa – e também o relator, criticando o livro de Eça, segundo se refere no Dicionário da Geração de 70, de Ana Maria de Almeida Martins, Guilherme d’Oliveira Martins e Manuela Rêgo, editado pela Presença, “por ser ‘falto de unidade lógica’, nisso residindo ‘o defeito irremediável do livro’. A crítica de Chagas sublinha os dois discursos da narração, o presente e o sonhado, como se fossem feitos à parte; e aponta uma nota de desafinação flagrante, quando Teodorico, sonhando, ‘acende um cigarro no meio da agitação que produz em Jerusalém a notícia da morte de Cristo!’”. Os outros membros do júri também concordaram com a decisão.
