“Daqui a 10, 20, 100 anos queremos Taiwan” disse Mao Tsé Tung
“A questão de Taiwan é a mais importante nas relações sino-norte-americanas. Se for bem gerida, as relações entre os dois países poderão manter-se globalmente estáveis. Se for mal gerida, os dois países irão confrontar-se, podendo mesmo entrar em conflito”, declarou o presidente chinês Xi Jiping ao presidente norte-americano, Donald Trump, por ocasião da visita deste à China.
Sempre enigmática e paciente, a diplomacia chinesa não fala em guerra com os EUA sobre Taiwan, nem o que entende por “bem gerida”, numa já longa tradição nos negócios estrangeiros que vem desde os tempos de Mao Tsé Tung, em 1949 com a Revolução da Longa Marcha sobre Pequim e tomada do poder aos nacionalistas e conservadores, depois exilados, precisamente em Taiwan ou Ilha Formosa.
Mao Tsé Tung, já com 82 anos, foi ainda mais enigmático que Xi em 1975, quando falou sobre a questão de Taiwan com o secretário de Estado norte-americano, Henry Kissinger, no último encontro entre os dois.
É Kissinger que o conta no seu livro Da China (editora Quetzal):
“MAO: É melhor para ela [Taiwan] estar nas vossas mãos. E se ma devolvessem agora, eu não a queria, porque não é desejável. Existe lá um enorme bando de contrarrevolucionários. Daqui a cem anos queré-la-emos [gesticulando com a mão], e vamos lutar por ela.
KISSINGER: Cem anos, não.
MAO: [Gesticulando com a mão e contando.] É difícil dizer. Cinco anos, dez, vinte, cem anos. É difícil dizer. [Aponta para o teto.) E quando eu for para o Céu ter com Deus, dir-lhe-ei que atualmente é melhor ter Taiwan ao cuidado dos Estados Unidos.
KISSINGER: Ele ficará muito admirado de ouvir isso do Presidente.
MAO: Não, porque Deus abençoa-os a vocês e não a nós. Deus não gosta de nós [abana as mãos] porque eu sou um senhor da guerra militante e também comunista. E por isso que ele não gosta de mim.”
