Bolsa Família ou o dinheiro atirado de helicóptero
Num país como o Brasil profundamente desigual, onde o elevador social não funciona, o Bolsa Família tem sido o garante das vitórias eleitorais de Lula.
Em 2026 não foi diferente, com Lula, aliás, a aumentar este subsídio antes das eleições com o objectivo de reforçar o apoio junto das camadas brasileiras mais desfavorecidas.
O Bolsa Família abrange hoje cerca de 20 milhões de brasileiros e não tem apenas o efeito de luta contra a pobreza, permitindo a muitas famílias alimentarem-se, num país que, ciclicamente, sofre com a alta dos preços.
Tem também, ao nível- macroeconómico, um efeito indutor do rendimento, do consumo e do crescimento económico, como salientou recentemente o Prémio Nobel da Economia Joseph Stiglitz num artigo publicado no Jornal de Negócios.
São cerca de 400 euros mensais que funcionam como se fossem lançados de helicóptero para o bolso, criando moeda, utilizando a velha teoria de Milton Friedman.
É verdade que cria inflação mas a um nível que não pode ser considerado dramático, muito menor do que os gastos com o consumo das classes mais ricas e abastadas do Brasil.
