Carneiro: o fantasma de Seguro
José Luís Carneiro vai viabilizar o Orçamento de Estado de Luís Montenegro para 2027 numa conjuntura económica perigosa, com aumento dos juros, da inflação, do desemprego, uma tempestade perfeita a que se junta uma forte crise na habitação difícil de debelar nos próximos anos.
Em 2012, o então líder do PS, António José Seguro também viabilizou o Orçamento de Estado de Passos Coelho para 2013, numa conjuntura dramática, de intervenção da troika.
O resultado, como se sabe, não foi feliz. Seguro ganhou as europeias de 2014 por pouca margem e António Costa acusou-o de ser “poucochinho”, disputou-lhe a liderança, ganhou e foi ele a disputar e a vencer (na secretaria, com a gerigonça) as eleições legislativas de 2015 …
Desta vez, sem eleições europeias à vista, europeias ou autárquicas, a acusação de “poucochinho” pode ser mais de natureza, de Carneiro apenas ser capaz de “poucochinho”, sem descolar nas sondagens, também “poucochinhas”. (a frase assassina de Costa contra Seguro foi “quem ganha por poucochinho também é capaz de poucochinho”)
Mário Centeno e a sua equipa, onde se destaca Fernando Medina, é hoje o António Costa de José Luís Carneiro. O “poucochinho” pode surgir quando a crise se tornar insustentável e os vinte e tal por cento de Carneiro nas sondagens não chegarem para se manter na liderança socialista. Medina, já que Centeno não é encartado no PS, poderá ser o testa de ferro do ex-governador do Banco de Portugal, para São Bento.
Há, no entanto, uma diferença, que poderá ameaçar este cenário. Carneiro é um líder moderado, como Carneiro e Medina o são, ou seja tudo pode mudar para tudo continuar na mesma, o que é pouco aliciante. A ala esquerda do PS teria aqui uma segunda oportunidade. Pedro Nuno Santos voltará? Terá hipóteses? Avança uma nova figura desta ala? Quem? Mariana Vieira da Silva seria uma hipótese mas não criou densidade nem “patine”. Alexandra Leitão tem estas duas qualidades mas a derrota em Lisboa é uma pecha complicada …
